Transtornos de capital

21/09/2012 15:19

Trânsito em Divinópolis já se configura como o de grandes cidades

 

Em Divinópolis é comum ouvir o tempo todo reclamações sobre o trânsito. Além de práticas inadequadas de alguns motoristas ao volante, os condutores divinopolitanos costumam sempre reclamar das vias da cidade, ora mal sinalizadas, pequenas ou até perigosas. A cidade, hoje com mais de 200 mil habitantes, tem um cenário de cidade grande, onde os problemas do trânsito acabam sendo parte da rotina de motoristas e pedestres.

Os chamados “horários de pico” costumam causar diariamente as retenções de trânsito nas vias mais movimentadas da cidade. Por volta das 18h é possível identificar pontos de afogamento do trânsito em locais como a rotatória da Avenida Paraná no cruzamento da Rua Sergipe; na Rua São Paulo, na esquina da Av. Antônio Olímpio de Morais; na Av. Getúlio Vargas, esquina com Rua São Paulo, e em outras áreas que não são centrais, como a Av. JK, próxima ao Teatro Usina Gravatá, e a região dos shoppings, por exemplo. Nestas vias é comum a aglomeração de carros nos horários de maior movimentação e a reclamação dos motoristas é com a sinalização das vias. Condutores e pedestres acreditam que uma melhora de sinalização pode minimizar ou até acabar com o problema da retenção dos carros.

Na maioria dos pontos onde o trânsito tem retenções a sinalização é feita com rotatórias e faixas preferenciais para pedestres. Nos dois tipos de sinalização, a legislação do trânsito já tem uma definição de quem deve ter a preferência na travessia. Porém, nestes locais, é comum que aconteçam acidentes, colisões e atropelamentos. Diariamente, motociclistas costumam se chocar com outras motos ou carros, após entrarem juntos nas rotatórias.

Moradora da Av. Paraná, próxima à rotatória da esquina com a Rua Sergipe, a auxiliar de escritório Jucileide Maria Moura conta que todos os dias os carros ficam parados por muito tempo na via, esperando para avançar na rotatória. “Sempre vejo acontecer esse tipo de coisa aqui no quarteirão. Os carros passam ali até desafogar a rotatória, mas o sinal de cima abre e fica aquela fila de carros atravessando a pista”, conta.

Além de morar em uma das principais avenidas da cidade, Jucileide também trabalha no mesmo local. Ela conta que no cruzamento das ruas algumas colisões leves são normais durante todo o dia. “Já aqui na esquina da Paraná com a Sergipe a gente vê, não só todo dia, mas toda hora, algumas batidas entre motoqueiros ou carros. Além disso, tem sempre algum pedestre quase sendo atropelado na rotatória. O maior problema é que isso acontece sempre. Se está assim é porque tem alguma coisa errada. E eu acredito que o erro esteja na sinalização, que para mim é muito mal feita. Aqui não é lugar para colocar rotatória. Mas eu acho que só vão ver isso quando acontecer algum acidente grave nesse cruzamento”, desabafa a auxiliar de escritório.

Pelas dificuldades com a sinalização, principalmente na área central da cidade, a recém-habilitada Júlia de Oliveira conta que tem medo de dirigir em Divinópolis. “Tirei minha carteira de habilitação agora, mas não tenho coragem de sair no carro, principalmente no centro. Nos lugares onde tem faixa preferencial e rotatória é sempre muito complicado. Eu demorei a tirar minha habilitação, mas com esse trânsito ainda não sei como vou dirigir”, conta.

Frota crescente

Apesar dos problemas apontados pelos moradores, os motoristas sabem que os congestionamentos nas vias movimentadas se devem também ao fluxo de carros, que cresceu muito nos últimos anos em Divinópolis. Isso é o que ressalta o microempresário Wiliam Camargo dos Santos. “É difícil. A questão de mão única, por exemplo, atrapalha bastante o deslocamento da gente. Mas também tem a questão do fluxo de veículos, que aumentou demais com relação à facilidade de crédito. As pessoas foram comprando mais carros. Mas aí a quantidade de veículos atrapalha a gente bastante. Às vezes o trânsito até flui, mas você vai procurar uma vaga para estacionar e não acha”, afirma.

William mora em Carmo do Cajuru e vem sempre a Divinópolis fazer entregas de cargas. Segundo ele, é complicado fazer o serviço na cidade. “A maioria dos pedidos é aqui em Divinópolis, então a gente tem muitos problemas com fluxo de veículos na hora de descarregar. Às vezes você vai fazer uma entrega na casa do cliente e não tem vaga para estacionar. O pessoal não respeita quando você para e precisa carregar algo pesado, entendeu? É bem complicado fazer entrega”, conta.

Os “temidos” congestionamentos são encontrados todos os dias no caminho do motorista Carlos Otaviano. Durante os horários de maior fluxo, Carlos conta que fica por longos períodos em locais movimentados. “Já cheguei a ficar meia hora parado no trânsito. Eu tenho horários a cumprir, e o trânsito aqui sempre me dá dor de cabeça”, conta.

Para ajudar a controlar os problemas do trânsito, a prefeitura criou a Secretaria Municipal de Transito e Transportes, a Settrans. Responsável pela gestão do trânsito na cidade, a Secretaria é um órgão recente. A Settrans foi criada em 2007 (na época, com o nome Divitrans, que foi modificado em 2009), mas passou a atuar como fiscalizadora do transito em 2008. Isso fez com que a cidade fosse uma das primeiras da região Centro-Oeste a efetivarem a municipalização do trânsito.

O Secretário Municipal de Trânsito e Transportes, Júlio Valério, conta que a Settrans trabalha diariamente para controlar a situação do trânsito na cidade. Segundo ele, através de uma atuação pautada no planejamento, em quatro anos a população pôde perceber grandes mudanças, como a revitalização das pinturas de sinalização, faixas de pedestres, instalação do semáforo na Av. JK e o trabalho de sincronismo dos semáforos, que foi remanejado através da instalação da chamada “Onda Verde”.

Apesar de registrar uma frota de mais de 100 mil veículos, Júlio garante que não existem congestionamentos em Divinópolis. Segundo ele, as retenções que se formam no horário de pico se desfazem com no máximo 15 minutos de paralisação. Diferente dos grandes centros, em que os congestionamentos costumam durar horas, disse.

Tecnologia possibilita soluções

Em grandes cidades e capitais onde o fluxo de veículos também causa retenções no trânsito, cada vez mais se utilizam tecnologias para facilitar a vida de motoristas e evitar possíveis congestionamentos nas vias mais movimentadas. Em Belo Horizonte, uma alternativa para auxiliar os motoristas é o Infotráfego. Através de mensagens enviadas para o celular dos motoristas, é possível saber em tempo real a situação do trânsito. O usuário cadastra seu número e as rotas de interesse para manter-se informado sobre o fluxo de veículos no local.

As informações do trânsito são processadas por um software especializado, responsável por identificar a situação do tráfego para cada trecho de via. Quando uma situação de trânsito lento ou retido é detectada, um SMS é enviado para os usuários que possuem a rota cadastrada. O usuário do programa 

pode cadastrar quantas rotas desejar, programando os dias e horários, além da possibilidade de desativar o serviço sempre que necessário.

Na capital, o sistema é muito utilizado pelos motoristas para evitar os congestionamentos. O consultor imobiliário Gilberto de Souza Santos, que passa diariamente por vias movimentadas em Belo Horizonte, conta que o Infotráfego é uma ferramenta útil para os motoristas. O consultor imobiliário diz que sempre usa o sistema. “Eu uso diretamente. Eu também posso entrar no site ou ouvir notícias pelo rádio, sai de meia em meia hora um boletim, o que ajuda bastante. Chego no horário de pico. No meu caminho de Pará de Minas para Belo Horizonte tem o gargalo. De três pistas passam para duas e acumula um grande volume de veículos. Com o Infotráfego, se o trânsito estiver intenso, você opta por outro caminho. Se ocorrer algo de última hora não tem jeito, mas dá pra se programar bem”, conta.

Quando perguntado sobre a possibilidade de instalação do Infotráfego para auxiliar o trânsito de Divinópolis, o Secretário de Trânsito da cidade explicou que ainda não há a necessidade deste tipo de investimento na cidade. Segundo ele, o tempo de 15 minutos de espera é considerado, pelo órgão, um prazo tolerável para a permanência no trânsito de uma cidade de proporções médias, como é o caso de Divinópolis. Ele acrescenta, ainda, que são várias as vias alternativas para o desafogamento do trânsito, e que o município ainda conta com uma rede viária bem planejada, com ruas largas, e sinalização eficaz, que garantem a fluidez do trânsito de Divinópolis.

 

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Reportagem produzida pelos alunos do curso de Jornalismo da Faculdade Pitágoras Divinópolis/MG: Ânderson Lopes, Marina Alves e Vélber Viana (3º Período)

Fotos: Marina Alves (3º Período) e Arquivo pessoal

Edição e Supervisão: Professor Ricardo Nogueira (MG 11.295 JP)

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