Perfil: A filosofia de um batalhador

02/01/2013 13:58

Descubra-se e faça do seu trabalho uma diversão

Em meio a uma dúvida cruel sobre quem escrever e agendas que não batiam com os nomes pensados anteriormente, eis que surge a ideia de contatar Luís Fernando Martins, que me atendeu super bem. Num bate papo descontraído, e com muito bom humor, compartilhou um pouquinho da sua história de vida. Luís Fernando (Luisinho) nasceu aos 10 dias do mês de maio de 1963 na cidade mineira de Lavras e morou lá até seus oito anos de idade. Seu pai era ferroviário e, devido a uma transferência, a família teve de se mudar para Divinópolis. É caçula de oito irmãos.

Passada a infância e um pouquinho da adolescência, ele percebeu a necessidade de um trabalho e começou a vender artesanatos, o que fez com que, por um tempo de sua vida, fosse viajante no país. Nesse período já usava a comunicação para a venda, mesmo sem ter pensado em ser um profissional da área, embora tivesse na família alguém que trabalhasse no rádio. Seu irmão Tarcísio Martins era produtor em uma emissora. Durante suas andanças pelo país conheceu sua primeira esposa e, quando voltou para Divinópolis, já estava casado.

O começo

Orientado por seu irmão para um teste de locução que haveria na rádio Castelo Branco, resolveu fazê-lo. Foi aprovado e começou na área em um programa que ia ao ar de meia noite às duas da manhã. Por ser algo que ele ainda estava aprendendo e a rentabilidade não era boa, eis que surge um concurso para os Correios. Luís o fez, foi aprovado e saiu da rádio. Após um ano trabalhando nos Correios, a rádio Candidés convidou vários locutores para testes e ele abraçou a ideia, afinal seria uma rádio nova e a condição para fazer um trabalho melhor. Aprovado no teste foi contratado pela emissora. Continuou trabalhando nos Correios na parte da manhã e tarde, e à noite tinha um programa que ia ao ar das 20h à 01h.

Foram três anos nessa rotina, que Luisinho define como um período conturbado, pois viajava pelos Correios, às vezes tinha de fazer algumas substituições em cidades próximas, e era preciso chegar à emissora a tempo de fazer o programa. Após um bom trabalho e destaque na área, foi convidado para assumir a direção artística da rádio, precisando tomar uma decisão na vida. O seu trabalho nos Correios estava em conflito com o que realmente queria, então resolveu abandonar o emprego concursado e ficar na rádio. Sua decisão gerou comentários de que era louco, pois nos Correios era concursado, tinha uma estabilidade, mas ele quis trabalhar com aquilo que realmente lhe fazia feliz.

Após um longo período na parte artística da rádio e um desentendimento com a direção da emissora, decidiu sair e trabalhar como profissional autônomo. Com a experiência adquirida ao longo do tempo, montou sua assessoria de comunicação, por um período trabalhou em Belo Horizonte, mas resolveu voltar para Divinópolis. Foi convidado a assumir a parte artística da radio Divinópolis, porém as ideias dele não batiam com as da direção, saiu e continuou com sua empresa de assessoria. No final de 2010 foi convidado pela rádio Sucesso para assumir a parte artística da emissora e lá está até hoje.

Formado em Publicidade e Propaganda, fez parte da primeira turma do curso de Comunicação Social da antiga Fadom, hoje Faculdade Pitágoras. Cursou a faculdade um pouco mais tarde devido ao fato do curso não ter existido na cidade antes, e estudar fora era um tanto quanto complicado. Considera a formação acadêmica muito importante, pois, além da formação de mercado, experimentou a teoria e teve uma visão mais ampliada das coisas da área.

O que viu da vida

Luís é muito firme quando diz que a vida dá muitas voltas e as pessoas um dia acabam se defrontando com aquilo que elas realmente deveriam ser. E afirma que é preciso descobrir qual o dom que se tem. Pode-se fazer dezenas de coisas, porém uma delas é a que se faz melhor. É necessário se esforçar, não

perder muito tempo e concentrar naquilo que realmente satisfaz, aquilo que dá prazer e, obviamente, no mundo capitalista em que vivemos, aquilo que dá dinheiro. Outro ponto importante para ele é: “aquilo que você faz com prazer não dá trabalho. Você nunca vai trabalhar na sua vida se você faz o que você gosta, será uma alegria fazer. Trabalho é aquilo que dá desgaste, estressa, cansa”, afirma.

Completamente apaixonado pela comunicação, comenta que ser comunicador é uma profissão a ser exercida mais por paixão do que pelo lado financeiro. É uma área que, em cidades menores como a nossa, as agências e os profissionais não são tão respeitados como nos grandes centros. É uma área que exige que o profissional detenha outras qualidades, saiba fazer muita coisa, pois isso contribui para uma receita melhor. Com o desenvolvimento veloz da tecnologia da informação, os recursos estão disponíveis muito mais facilmente para as mentes mais abertas, principalmente para os adolescentes, que ainda não se empenharam em nenhuma filosofia de trabalho. Têm tempo de absorver e praticar, pois é a prática que faz adquirir competência. Diz valer muito para a área a expressão: “tudo que acrescente conteúdo é válido”.

Marcas, medo e desejo

Ao ser questionado sobre fatos marcantes da carreira diz não ter um específico, mas as coberturas ao vivo de eventos foram bem importantes, pois são momentos em que se foge da rotina, daquele curso natural. É uma busca por coisas novas, contato com pessoas diferentes, conhecimento de assuntos novos. São certos sufocos, momentos sofridos, mas que dão satisfação e, passados, causam a sensação de superação.

Seu medo é perder a voz e ter de deixar de fazer o que mais ama na vida, que é falar. Espera poder se divertir até o seu último dia de vida. Diversão: é assim que considera sua profissão, e afirma não ter trabalho com ela. Um desejo que tem na vida é algo que ele considera difícil de acontecer, porém não impossível: “As pessoas deveriam se entender melhor, com mais caridade e fraternidade, e isso, com atitudes individuais no dia a dia, seria possível”.

Lamenta que as pessoas não fazem o bem porque querem ter um reconhecimento por isso. A maioria quer ser reconhecida por ter uma atitude legal, quando na verdade deveria se sentir satisfeita somente por fazer aquilo. E quando é feito algo e não vem o reconhecimento, ocorre a frustração e o abandono de boas ações. Um sonho na profissão é ver o mercado na área de comunicação ser mais respeitado: que se possa promover um circuito de receitas mais valorizadas para que as empresas tenham condições de valorizar seus profissionais, pois o mercado é pequeno e a disputa muito grande.

Falha nossa

Rindo muito da situação, relembra um fato que ocorreu na abertura de um show em uma das edições da Festa da Cerveja. Era show do Gilberto Gil e, naquela de entreter o público enquanto a produção dava os ajustes finais para a apresentação, a luz do canhão de iluminação refletia diretamente em seu rosto, causando dificuldade de visão. Anunciou a atração, mas quando foi sair do palco, não enxergou e tropeçou na caixa de som, levando um tombo daqueles. O público não deixou por menos e foi um auê danado. Ele, mais que depressa se levantou, sacudiu a poeira e deu a volta por cima.

Definição

Competente, exigente e muito ativo. Assim Luís Fernando é definido por seus colegas de trabalho. E bastou o curto tempo da nossa conversa para poder perceber isso. É uma pessoa de muitos contatos e, entre as perguntas, surgiu o assunto da possibilidade dele algum dia dar aulas em uma faculdade na área da Comunicação. Contou que já recebeu convite, mas tem consigo que ter conhecimento não quer dizer que se saiba distribuir esse conhecimento, e o professor tem essa grande tarefa. Se fosse exercer essa função gostaria de preparar uma aula com um bom conteúdo, não queria ser somente mais um integrante do corpo docente. Gostaria de ser diferente, que as pessoas saíssem de sua aula satisfeitas, e que tanto elas e ele tivessem a certeza de terem aprendido algo. Além de demandar um tempo bom para a preparação de uma boa aula, para ele a questão salarial também não é tão atrativa. Assim, conclui que talvez um dia exerça essa função, mas não agora.

________________________________

Reportagem/perfil produzido em novembro de 2012 pela aluna do curso de Jornalismo da Faculdade Pitágoras Divinópolis/MG: Márcia Vani dos Santos (3º Período)

Fotos: Márcia Vani dos Santos (3º Período)

Edição e Supervisão: Professor Ricardo Nogueira (MG 11.295 JP)

Voltar