Jornada dupla: mãe profissional

20/08/2012 15:23

Mães dividem seu tempo entre a carreira e os filhos

A tarefa de ser mãe mudou com o progresso das mulheres no mercado de trabalho. Além de cuidar da casa e dos filhos, o crescimento profissional também faz parte do dia-a-dia. Reajustar o tempo para cada ocupação requer muito jogo de cintura. No meio da correria do trabalho as mães acabam não tendo tanta disponibilidade para cuidar dos filhos. Muitas trabalham em horário integral, o que dificulta a convivência. Algumas mães recorrem a parentes, e muitas avós são escolhidas pra ajudar na educação da criança. Este é o caso de Jéssica Suelen, 23 anos, que foi criada pela avó materna no período em que sua mãe precisava trabalhar.

Crianças educadas pelas avós tendem a ter uma relação maior com elas, conta Jéssica, que até pouco tempo morava com a avó e a mãe. Ela garante que o amor pelas duas é igual, mas o respeito é maior pela avó. Porém, acredita que hoje essa relação entre mãe, filhos e avó é diferente. “Hoje a divisão da criação do filho não é como antes. Espero poder disponibilizar mais tempo para os filhos”, diz. Filhos estes que Jéssica, recém-casada, ainda não tem, mas pretende ter. Ela afirma que, junto com o marido, Kaique Corrêa, planeja a chegada dos filhos daqui a alguns anos, quando os dois estiverem formados e realizados profissionalmente, para poderem se dedicar efetivamente na criação dos filhos.

Já para Heliete Rodrigues, 40 anos, balconista, cuidar da filha Maria Clara, de 12 anos, da casa e da parte profissional requer bastante atenção. “Procuro não misturar as coisas. Quando estou na empresa tento não me preocupar com as coisas de casa e quando estou em casa tento dedicar todo o tempo para minha filha”, afirma. Heliete conta ainda que alguns domingos e feriados alternados fazem parte do trabalho e Maria Clara reclama bastante. “Ela diz que não tenho tempo para ela. Quase nunca podemos sair juntas, assistir a filmes, fazer compras e tantas outras coisas”, conta. Mas afirma que, no que requer sua atenção nos estudos, nunca deixou de ajudar e sempre que pode está cobrando as tarefas e trabalhos escolares.

Muitas mães acabam deixando de lado uma carreira profissional para cuidar dos filhos, porque mesmo tendo que trabalhar para ajudar a sustentar a família, nem sempre podem seguir o rumo da carreira desejada. Heliete alerta outras mães que “é importante que a mãe tenha o seu trabalho. Ela não pode abrir mão da sua realização profissional, da sua independência e viver apenas em função do filho”, pondera. A balconista lembra ainda que todo filho cresce e certamente vai morar longe, mas, se a mãe realmente for cuidadosa, até mesmo essa ausência não interfere na dedicação com o filho.

 

        A balconista Heliete, que divide seu tempo entre o trabalho e a 
           educação da filha, com Maria Clara, em uma feira cultural

Volta ao trabalho

Uma das grandes preocupações de quem pensa em ser mãe é ter que voltar ao trabalho muito cedo. Isso porque é justamente nos primeiros meses de vida que a necessidade do bebê pela mãe é maior, tendo em vista a amamentação. Para quem trabalha com carteira assinada, a legislação trabalhista garante 120 dias de licença-maternidade remunerada. Porém, muitas mulheres se apegam à convivência com o filho e acabam não voltando ao trabalho depois desse tempo. Assim aconteceu com Maria Eduarda Melo, 20 anos, mãe de Pietro, de sete meses.

“No começo fiquei meio em duvida se ia ou não parar de trabalhar depois que o Pietro nasceu. E quando a licença acabou eu não dei conta de sair de perto dele, decidi não voltar ao trabalho pra dedicar minha vida a ele”, conta. O tempo destinado ao filho não determina a dedicação que uma mãe tem, garante Maria Eduarda, que pensa em voltar ao trabalho quando Pietro já estiver mais independente. “Ele é ligado a mim do mesmo jeito que sou ligada a ele, mas agora que já estou introduzindo em sua alimentação alguns alimentos ele não fica tão dependente da amamentação, que é minha maior preocupação e penso também que seja a de qualquer mãe”, afirma.

Muitas mães também têm medo de criar os filhos com um zelo exagerado, o que pode dificultar no amadurecimento da criança. Foi pensando assim que Maria Eduarda começou a entender que, mesmo não estando o dia todo ao lado do filho, ele também poderá ser bem educado.

A falta de ter uma pessoa de confiança para deixar o filho durante o expediente também é um dos causadores de desistência de voltar ao trabalho. O alto valor cobrado por creches e tantos outros fatores influenciam ainda na decisão das mães. No entanto, para aquelas que decidiram voltar ao trabalho, Heliete garante que filhos de mães que trabalham fora são mais independentes, e que aprendem desde cedo a se cuidar. “Não é uma tarefa fácil cuidar da casa, dos filhos e ainda ser uma profissional. O que não pode é esquecer de ‘ser mãe’, saber escutar o que os filhos têm a dizer quando chegam em casa. Estar atenta com as pessoas que os rodeiam, onde eles vão, o que fazem”, argumenta. E Heliete ainda afirma que é pensando em dar melhores condições de sobrevivência para os filhos que uma mãe se submete todos os dias a essa dura tarefa de ser mãe-profissional.

 

 


       Maria Eduarda desistiu de voltar ao trabalho logo após o término 
         de seu salário-maternidade para ficar junto de seu filho Pietro

Licença-maternidade

Muitas mulheres têm dúvidas sobre a licença-maternidade: como funciona, por quanto tempo, qual o valor do benefício. Dependendo da empresa, e até mesmo do cargo que a mãe ocupa, o tempo de licença pode variar. Vale sempre lembrar que em caso de qualquer dúvida a mãe deve entrar em contato com a Previdência Social ou com o setor responsável na empresa. Seguem, a seguir, algumas informações sobre a Licença-Maternidade, extraídas do site do Ministério da Previdência Social e da TV Senado:

O que é Salário (Licença) Maternidade?

Benefício que mães assalariadas, com carteira assinada, contribuintes do INSS, recebem quando na ocasião de parto, inclusive o natimorto, aborto não criminoso, adoção ou guarda judicial para fins de adoção.

Quais os direitos da Seguradora Desempregada?

A segurada desempregada terá direito ao salário-maternidade nos casos de demissão antes da gravidez ou, caso a gravidez tenha ocorrido enquanto ainda estava empregada, desde que a dispensa tenha sido por justa causa ou a pedido.

Qual a Duração do Benefício?

O benefício será pago durante 180* dias e poderá ter início até 28 dias antes do parto. Se concedido antes do nascimento da criança, a comprovação será por atestado médico, se posterior ao parto, a prova será a Certidão de Nascimento. Em casos excepcionais, os períodos de repouso anteriores e posteriores ao parto poderão ser aumentados por mais duas semanas, mediante atestado médico específico. *Tornou-se obrigatória a licença-maternidade de 180 dias para empresas públicas e privadas. Na prática, a proposta amplia o alcance da Lei 11.770/08, de autoria da senadora Patrícia Saboya (PDT-CE), que faculta às empresas privadas a concessão da licença de seis meses, em troca de benefícios fiscais – permite a dedução das despesas extras com a trabalhadora gestante do Imposto de Renda.

A duração do benefício será diferenciada nos casos especificados abaixo:

Nos abortos espontâneos ou previstos em lei (estupro ou risco de vida para a mãe), será pago o salário-maternidade por duas semanas.

À segurada da Previdência Social que adotar ou obtiver guarda judicial para fins de adoção de criança, é devido salário-maternidade durante os seguintes períodos: 60 dias, se a criança tiver de 1 até 4 anos completos de idade; 120 dias, se a criança tiver até 1 ano completo de idade; 30 dias, se a criança tiver de 4 até completar 8 anos de idade. No caso de adoção de mais de uma criança, simultaneamente, a segurada terá direito somente ao pagamento de um salário-maternidade, observando-se o direito segundo a idade da criança mais nova.

Carência

Para concessão do salário-maternidade, não é exigido tempo mínimo de contribuição das trabalhadoras empregadas, domésticas e trabalhadoras avulsas, desde que comprovem filiação nesta condição na data do afastamento para fins de salário maternidade ou na data do parto.

A contribuinte individual, a segurada facultativa e a segurada especial (que optou por contribuir) têm que ter pelo menos dez contribuições para receber o benefício. A segurada especial que não paga contribuições receberá o salário-maternidade se comprovar no mínimo dez meses de trabalho rural imediatamente anteriores à data do parto.

A trabalhadora que exerce atividades ou tem empregos simultâneos tem direito a um salário-maternidade para cada emprego/atividade, desde que contribua para a Previdência nas duas funções.

Forma de pagamento

O pagamento do salário-maternidade das gestantes empregadas é feito diretamente pelas empresas, que são ressarcidas pela Previdência Social. As mães adotivas, contribuintes individuais, facultativas e empregadas domésticas terão de pedir o benefício nas Agências da Previdência Social.

Como requerer o salário-maternidade?

O benefício pode ser solicitado pelo portal da Previdência Social na Internet, pelo telefone 135 ou nas Agências da Previdência Social, mediante o cumprimento das exigências legais. Caso suas informações cadastrais, vínculos e remunerações constem corretamente no Cadastro Nacional de Informações Sociais – CNIS, será necessário apresentar os seguintes documentos: Número de Identificação do Trabalhador - NIT (PIS/PASEP ou número de inscrição do contribuinte individual/facultativo/empregado doméstico); Documento de identificação (Carteira de Identidade, Carteira de Trabalho e Previdência Social, entre outros); Cadastro de Pessoa Física - CPF (documento obrigatório).

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Reportagem produzida pela aluna do curso de Jornalismo da Faculdade Pitágoras Divinópolis/MG: Fernanda Nunes (3º Período)
Fotos: Arquivo pessoal
Edição e Supervisão: Professor Ricardo Nogueira (MG 11.295 JP)

 

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