Graças e unção em 30 minutos

04/09/2012 12:23

  Grupos universitários de oração aproveitam intervalos das aulas para renovar a fé

Em meio à correria do ambiente universitário, estudantes encontram espaço para se reunirem em prol de suas crenças. O lugar onde predomina a ciência cede espaço à religião, como acontece na Faculdade Pitágoras Divinópolis. Assim como os estudantes se dividem em relação a preferências por área de estudo, a diversidade também aparece no âmbito religioso. Com 3.500 estudantes no período noturno, a Faculdade Pitágoras possui alunos de diferentes idades, cidades, habilitações e, como não poderia deixar de ser, crenças.

Três correntes com um grande número de adeptos se manifestam semanalmente no espaço destinado ao estudo para renovar suas crenças. O Grupo de Oração Universitário (GOU), católico, se reúne todas as segundas-feiras. Nas terças-feiras acontece o Bate-Papo Espírita e, nas quartas-feiras é a vez do grupo Evangélico. Todos se reúnem nos intervalos entre as aulas com o objetivo de orar, agradecer, refletir e evangelizar.

Grupo de Oração Universitário

Fundado na faculdade há cerca de 15 anos, o GOU é uma herança deixada por universitários que já faziam parte dos grupos de oração da Renovação Carismática Católica (RCC) em suas comunidades, diz Juliana Mattos, 22 anos, membro do grupo desde 2008. “A semente foi plantada pelos irmãos que já participavam de outros grupos de oração e começaram a realizar os encontros na faculdade, e hoje vem sendo semeada por nós”, conta.

O Grupo de Oração Universitária reúne atualmente cerca de 50 estudantes a cada encontro no auditório da faculdade. Pregação, música e dança fazem parte das atividades. Segundo Juliana, o objetivo do grupo é incentivar as pessoas para que, ao sair da faculdade, o aluno entenda o plano de Deus na sua profissão e exerça a sua vocação profissional com dignidade, ética e respeito ao ser humano. A divulgação dos encontros é feita pelas redes sociais, panfletagem, e por meio de cada membro que convida outras pessoas para o grupo. A professora universitária Vânia Vasconcelos conheceu o GOU por acaso. “Estava indo embora, ouvi que tinha um louvor em uma sala e entrei. Fui muito beneficiada pelo horário, porque na segunda só dou aula no primeiro horário, então no intervalo venho para o GOU, faço minhas orações e volto pra casa leve e feliz”, afirma.

Segundo Vânia, a oração fortalece. “Eu gosto do grupo de oração, desse contato com o íntimo, pessoas reunidas para receber o Espírito Santo. Isso fortalece a gente, pois temos o dia-a-dia muito atribulado e a própria faculdade já é um período em que a gente é muito exigida, tanto professor quanto aluno, e não tem lugar melhor pra recarregar as energias do que na presença de Deus. Todo mundo com a mesma intenção, que é orar, rezar, se colocar à disposição de Deus para se tornar uma pessoa melhor para vencer os obstáculos”, explica.

O GOU conta com o apoio da faculdade quanto à reserva de salas e do auditório, já que ainda não possui um local fixo para seu encontro semanal. De acordo com Juliana, a Faculdade Pitágoras atende ao grupo de forma eficiente, respeitando a crença de cada grupo. “Eles são muito respeitosos quanto à liberdade religiosa”, conta. Com duração de 30 minutos, estudantes, professores e evangelizadores trocam o seu tempo do intervalo pelo grupo de oração.

O estudante de Comunicação Social, Pedro Henrique, 19 anos, é membro do GOU há um ano. Pedro ressalta a importância da oração na vida do universitário. “A missão do GOU é a que o nosso Senhor Jesus nos deixou: ‘Ide pelo mundo e evangelizai’. Apesar de ser pouco tempo dá para orar sim. Deus se faz presente, pois onde dois ou mais estiverem presentes em Seu nome ali Ele está. Todos nós ou uma grande maioria dos estudantes trabalha o dia todo. Saímos de casa e de outras cidades cansados, desanimados e no GOU encontramos força”, finaliza Pedro.

De acordo com o psicólogo Marcos Ribeiro, 24 anos, convidado para a pregação, os grupos de oração têm duração de uma hora e meia, mas na faculdade esse tempo é de 30 minutos. “É muito diferente porque os grupos tradicionais geralmente têm uma hora e meia e aqui o tempo é menor. Com o tempo você vai vendo o quanto é bacana ter a oportunidade pra rezar dentro da faculdade, porque o universitário não tem tempo. E, às vezes, por falta de oportunidades como esta acaba se perdendo, comprometendo os seus próprios estudos”, relata.

Marcos fala um pouco sobre sua experiência em participar dos grupos de oração quando era universitário. “Às vezes pensamos que universidade não é um lugar pra rezar, não é lugar pra ter uma experiência com Deus. A pergunta é que lugar é lugar para se encontrar com Deus? Se Ele está em todo lugar, temos que dar oportunidade para Deus nos encontrar. Tem muitas pessoas aí que talvez não tenham outra oportunidade senão na faculdade, até pela falta de tempo. Então a grande proposta é se inserir em um ambiente que, de certa forma, prioriza os estudos e, às vezes, não dá espaço para se falar sobre Jesus. Abrimos mão de um lanche, entre outras coisas, para ter uma experiência mais profunda com Deus, algo que dificilmente, devido à correria, a gente conseguiria”, finaliza.

Bate-Papo Espírita

Conciliar a vida universitária com a religiosa é um grande desafio. A maioria dos estudantes alega falta de tempo para frequentar os movimentos religiosos. Pensando em uma forma de sanar esse problema, Marcio Torres, 47 anos, estudante de Engenharia Ambiental, resolveu organizar um Bate-Papo Espírita na Faculdade Pitágoras Divinópolis. “Frequento o movimento espírita há 27 anos. Quando entrei na faculdade senti falta das reuniões. Então procurei a direção e perguntei se poderiam ceder uma sala nos intervalos para o Bate-Papo. A direção aceitou sem problemas e abriram as portas na maior boa vontade”, conta.

Desde o dia 10 de abril de 2012, o Bate-Papo Espírita é realizado toda terça-feira no intervalo das aulas. Na primeira reunião, Márcio chegou mais cedo na faculdade para afixar cartazes nas salas. “Eu pensei que não viria ninguém, mas para minha surpresa apareceram 60 pessoas. Depois disso a média é sempre assim, no mínimo 30 pessoas participam”, diz.

O Bate-Papo é aberto a quem quiser participar, as pessoas se sentem à vontade para perguntar, responder e discutir. Márcio explica que, nos encontros, não se discute diferenças religiosas, pois a doutrina espírita ensina que todas as religiões louvam a Deus, têm objetivos e utilidades. Portanto, mesmo que alguém não concorde, o respeito é a palavra chave.

Segundo Márcio, a pedido dos participantes o objetivo do grupo é ampliar os encontros para dois dias da semana. “A curiosidade é muito grande e depois que você aprende sobre o espiritismo se apaixona, não tem como sair. Eu apenas tive a ideia que deu certo. Precisamos ter uma pessoa coordenando para não virar tumulto. No momento essa pessoa sou eu, mas tem várias pessoas que têm capacidade às vezes até melhor que a minha para estar aqui à frente. Tem que ter um responsável, até mesmo porque estamos usando um ambiente escolar”, finaliza Marcio Torres.

Evangelizar

Evangelizar é a proposta do grupo evangélico que se reúne todas as quartas- feiras nos intervalos das aulas na Faculdade Pitágoras. Foi criado há cerca de um ano e meio por Lucas Monticelli, estudante de Direito, e Rafael de Oliveira, estudante de Engenharia Ambiental. O grupo iniciou-se com dois participantes e atualmente reúne cerca de 30 pessoas. “No primeiro dia estavam presentes apenas eu o Rafael. Oramos e pedimos a Deus para mostrar o que fosse melhor. Deus não precisa de muito, nao precisa de 300 homens, e sim de 12 homens que façam a diferença. Os 12 apóstolos de Jesus mudaram o mundo, depois foi só aumentando e chegando mais pessoas”, diz Lucas.

O objetivo do grupo, segundo Lucas, é ganhar a alma para Jesus. “É mostrar para as pessoas que a bebida não é tudo que se tem. A felicidade não está nas bebidas, drogas ou mulheres, mas sim em Jesus”, relata. Rafael conta como foi a ideia de organizar um grupo evangélico dentro de uma instituição de ensino universitário. “Nós, evangélicos, somos mais reservados. Então precisávamos de algo que ocupasse um pouco o espaço e o tempo do pessoal durante o intervalo porque ‘mente vazia é oficina do diabo’. Achei que era interessante aproveitar essa meia hora de intervalo, procurei a diretoria da faculdade e pedi uma sala para as reuniões”, diz.

De acordo com o grupo, doutrina não se discute, pois cada religião vai despertar sentimentos diferentes. Lucas ressalta que o importante é que os grupos se respeitem, o que vem acontecendo na comunidade acadêmica.

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Reportagem produzida pelos alunos do curso de Jornalismo da Faculdade Pitágoras Divinópolis/MG: Elissandra Santos, Flávia Campagnani e Marciel Muniz (4º Período)
Fotos: Flávia Campagnani
Edição e Supervisão: Professor Ricardo Nogueira (MG 11.295 JP)

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