Adoção de animais: amenizando desigualdades

26/11/2012 14:41


Pessoas e entidades protetoras buscam bem-estar dos animais

Mais da metade dos cães e gatos nascidos são abandonados anualmente em todo o mundo. Isso é o que diz a pesquisa realizada pela Sociedade Mundial de Proteção Animal (WSPA). Problemas como esse estimulam diversas ações sociais para combater o aumento desses casos. Em Divinópolis, a Sociedade Protetora dos Animais de Divinópolis, Spad, é uma organização com este fim. Todos os projetos da entidade são voltados para o combate ao abandono de animais.

Fundada em 1996, a ONG tem como principal objetivo salvar os animais que estão na rua, abandonados. “Resgatamos aqueles que são vítimas de maus tratos, doenças, fome e frio,” conta Adriane Grossi, presidente da Spad. Porém, mesmo após 16 anos de existência, a entidade não pode resgatar todos os cães e gatos encontrados. “Infelizmente temos que acolher os casos mais graves, já que não temos condições financeiras, de espaço e de pessoal para tratar e abrigar todos,” diz Grossi. Essa falta de pessoas para ajudar no projeto foi o estímulo para a estudante Bárbara Chaves, 16 anos, se tornar voluntária. “Eles precisam muito, porque não há tanta gente para ajudar os animais quanto tem para ajudar as pessoas”, explica a estudante sobre o motivo de seu engajamento.

O trabalho desenvolvido pelos voluntários garante a continuidade do projeto. É comum cada um disponibilizar o espaço da sua casa durante o tratamento dos animais. “Eles também recolhem e os encaminham para adoção,” relata Adriane. Para o tratamento dos animais, a Spad recebe doações. Ração e remédios estão entre os itens mais necessários. Todas as arrecadações são repassadas aos colaboradores para o tratamento dos animais. Eventos como bazar, bingos, leilões e rifas também geram recursos para manter o projeto.

Todos os cães e gatos, após serem tratados, vão para a adoção. Roberta Oliveira, estagiária em análises clínicas, optou em adotar ao invés de comprar um filhote de cachorro. “Eu acho desnecessário comprar um animal sabendo que posso adotar um que precisa de cuidados”, conta. Roberta escolheu seu novo animal de estimação após ir à feira de adoção da Spad. A jovem, que mora na cidade de Belo Horizonte, elogia o trabalho feito pela ONG. “É a primeira vez que venho a uma feira assim. É uma excelente iniciativa.” O perfil no Facebook e o site da entidade também são usados como forma de angariar recursos para adoção. Neles estão as fotos dos animais que aguardam um novo dono. “Por lá, as pessoas manifestam o interesse em adotar determinado cachorro ou gato e o voluntário que está com ele se manifesta para passar as informações,” explica a presidente.

Todos os animais adotados são acompanhados de perto pela Spad. No ato da adoção, é preenchida a ficha cadastral e entregue um termo de responsabilidade para quem adotou. Passado um mês, se adotado quando adulto, a entidade liga para o dono para saber como está o animal. Caso seja filhote, após seis meses é feito o contato para esterilizá-lo. “A esterilização é feita para evitar a procriação e, consequentemente, que novos casos de abandono venham a acontecer,” diz Adriane. O procedimento de esterilização é feito pela Crevisa, órgão municipal que oferece o serviço gratuitamente.

Apoio da população

Alguns moradores de Divinópolis auxiliam na denúncia dos animais abandonados. Na página do Facebook da Spad, todos os dias são postados comentários mostrando fotos, explicando a situação do animal e onde ele está. Porém, outros preferem agir de uma maneira diferente. É o caso de Rose Dias, professora de Física. No início, a educadora cuidava desses animais somente na rua. “Comecei dando comida e água para os dois cachorros. Depois comecei a abrigá-lo no período da noite ou de chuva,” conta. Mas o cuidado diário levou Rose a tirá-los da rua. “Fui criando uma relação de afeto com eles. Foi quando resolvi levar os dois para minha casa”, afirma.

Karen Cipriano também salvou a vida de um animal. Como os voluntários da Spad, ela resolveu ceder o espaço da sua casa para dar cuidar de uma cadela. “Quando ela apareceu não estava nada bem. Parece que foi abandonada e estava assustada. Então cuidei dela. Dei banho, água, comida,” diz. Karen possui três cachorros, por isso aguarda alguém que queira adotar a cachorra. “Ela é bem tranquila e dócil. Quero que ela encontre uma pessoa que realmente cuide bem dela.”

Cuidados para a adoção

Apesar da nobreza da causa, adotar um animal exige preparação e cuidados constantes. O site Olhar Animal disponibiliza algumas dicas sobre alimentação, saúde e esterilização para quem pretende se engajar nesse caminho. Por isso, antes de adotar um animal, o interessado deve ter certeza de que sua casa ou apartamento possui espaço suficiente para a espécie escolhida. É importante ainda saber se a pessoa está disposta a cuidar dele por toda a vida, pois cães e gatos chegam a viver de 10 a 20 anos. Nas férias e períodos de ausência tem de haver pessoas para cuidar dele.

Vale a pena ainda perguntar se toda a família está de acordo em receber o novo integrante e se o interessado está disposto a arcar com as despesas de um animal. Além de amor, alimentação e abrigo, ele vai precisar eventualmente de cuidados veterinários e remédios. Importante lembrar ainda que o animal é um ser vivo e sensível, não um produto que pode ser trocado ou jogado fora ao apresentar “problemas” ou tornar-se “obsoleto”. Se o interessado em adoção mora em apartamento ou numa casa com um pátio pequeno, deve analisar se terá tempo e disponibilidade para passear com ele. Animais necessitam de exercício físico com regularidade. Mais dicas podem ser encontradas no endereço: www.olharanimal.net.

Direitos dos animais

De acordo com a Declaração Universal dos Direitos dos Animais, todos animais: 1 - Têm direito a vida; 2 - Direito ao respeito e à proteção do homem; 3 - Nenhum animal deve ser maltratado; 4 - Todos os animais selvagens têm o direito de viver livres no seu habitat; 5 - O animal que o homem escolher para companheiro não deve ser nunca ser abandonado; 6 - Nenhum animal deve ser usado em experiências que lhe causem dor; 7 - Todo ato que põe em risco a vida de um animal é um crime contra a vida; 8 - A poluição e a destruição do meio ambiente são considerados crimes contra os animais; 9 - Os diretos dos animais devem ser defendidos por lei; 10 - O homem deve ser educado desde a infância para observar, respeitar e compreender os animais.

Por serem protegidos pela legislação, caso seja comprovado qualquer descumprimento da mesma, o autor pode ser condenado a cumprir pena de um e quatro anos de prisão mais multa nos casos de: maus-tratos a animais domésticos ou silvestres, nativos ou exóticos. Também serão julgadas na mesma lei pessoas que abandonarem ou realizarem experiências dolorosas em animal vivo, mesmo que seja para fins didáticos, quando houver outro recurso. Já em casos de maus-tratos a animais, que acarretem lesão grave, permanente ou mutilação, a pena será aumentada de um sexto a um terço. Se os maus-tratos resultam na morte do animal, a pena é aumentada em 50% – podendo ir de três a seis anos.

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Reportagem produzida pelos alunos do curso de Jornalismo da Faculdade Pitágoras Divinópolis/MG: Ana Paula D’Eça, Fernanda Nunes, Gustavo Costa, Maysa Ribeiro e Victor Guilherme. (4º Período)

Fotos: Gustavo Costa (4º Período)

Supervisão: Prof. Douglas Fernandes

Edição: Prof. Ricardo Nogueira (MG 11.295 JP)

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